Capítulo Quatro: Mercadorias de Feira Expostas em Vitrines de Luxo

Asisten Kecil Sang Bintang Besar Gadis kecil, la la la la. 6299kata 2026-03-12 14:38:45

Sala de Estar.

— Toma, porco reprodutor, aqui estão suas roupas. — Yan Xiaoxiao ergueu um traje social branco, bloqueando a visão de Lin Yuan, que assistia televisão.

— Ora, parece que você se viciou em me chamar assim, porco reprodutor? Já viu algum porco tão bonito quanto eu? Digo-lhe, porca, em casa eu deixo pra lá, mas se ousar me chamar assim em público, jogo você no lugar de um bando de porcos reprodutores para procriar em nome da pátria, ouviu bem? — Lin Yuan reclinava-se preguiçosamente no sofá de linho branco, os lábios sensuais roçando o anel no dedo mínimo da mão direita.

Assim que Yan Xiaoxiao via os lábios de Lin Yuan, sentia-se enojada; lembrar-se de tudo que ele lhe fazia no quarto a enfurecia ainda mais. — Mas você também não pode me chamar de porca na frente dos outros, nem mesmo de senhora Lin. E, daqui em diante, você tem que manter distância de mim — não pode mais... me beijar como agora. Só de pensar naquela sua boca, fico enojada!

— Ah, pare com isso, ser beijada por mim é uma honra para você. Dá pra ver que você é mercadoria de prateleira, daquelas que nem na liquidação final alguém quer. Pode ir se acostumando a ser a “Grande Restante” do mundo! — Lin Yuan levantou-se lentamente, lançando-lhe um olhar crítico de velha escolhendo repolho.

— Não quero conversar com um dejeto humano como você. Estou com fome, tome suas roupas. Vá se esbaldar nessa sua festa ridícula, de preferência nem volte pra casa, assim me poupa de ver essa sua cara repugnante. — Dito isso, Yan Xiaoxiao atirou o traje nos justos braços de Lin Yuan e virou-se para sair. Ele levantou-se apressado, nem pôde calçar os chinelos, e correu até ela, segurando-a pelo freio.

— Não vai me dizer que esqueceu? Eu disse que hoje à noite você seria minha acompanhante. Se está com fome, sem problemas, lá terá iguarias em abundância — é seu trabalho, como pode abandonar o posto?

— Você disse isso? Além do mais, não tem sua 'doce namorada'? Como alguém de “mercadoria de rua”, como você diz, pode circular na tal alta sociedade? É um insulto aos produtos de rua! Solte-me, quero jantar. — Tentou debalde desvencilhar-se, irritada, pisando forte.

— Mercadoria de rua precisa se valorizar, embalar-se bem, ir para o balcão principal, entendeu? Estou lhe ajudando, sua ingrata. — Lin Yuan bateu de leve na cabeça dela.

— Agradeço sua boa intenção, mas não posso aceitar. E, além disso, para festas assim é preciso usar vestidos caríssimos e indecentemente curtos. Desculpe, sou a 'princesa plana' sem busto nem costas, e sou apenas uma pequena assistente — como teria dinheiro para um vestido desses? Hoje é meu primeiro dia de trabalho, então menos ainda. — Yan Xiaoxiao apostava na lábia: já fora a melhor debatedora da escola, e agora precisava evitar ser descoberta por algum amigo do pai. Se isso acontecesse, sua identidade seria revelada e perderia a chance de buscar a liberdade. O pai a trancaria numa gaiola dourada!

— Porca, não importa o que diga, você vai, é uma ordem. Está no contrato: obediência incondicional ao trabalho designado pelo patrão, contanto que não haja risco à vida. Ir a uma festa é só uma formalidade, não pedi para saltar do alto do prédio. Chega de conversa, espere-me trocar de roupa. Depois, levo você ao estúdio para a Zhang cuidar do seu visual. — Soltou a mão dela, saiu levando o traje, deixando-a ali, atônita.

Cinco minutos depois.

Lin Yuan saiu do vestiário; vestido a rigor, parecia ainda mais sedutor. Viu Yan Xiaoxiao ainda imóvel e teve vontade de rir: aquela garota era mesmo especial. Bateu-lhe de leve na testa: — Volta, volta pra cá. — Yan Xiaoxiao então recobrou os sentidos, deparando-se com o olhar provocador de Lin Yuan. Quando ia xingá-lo, ele foi mais rápido: — Vamos, minha assistente. Hoje à noite, você será minha Cinderela.

E, sem mais, tomou-a nos braços à força e se dirigiu ao pátio.

— Lin Yuan, seu pervertido, solte-me agora ou gritarei por assédio! — Yan Xiaoxiao, assustada, debatia-se para escapar daqueles braços.

Lin Yuan não se importou; diante do seu carro esportivo vermelho, depositou-a no chão e ajeitou o colarinho bagunçado. — Senhorita Yan, seja profissional, por favor. Entre logo.

Sem alternativa, ela entrou no carro do “ladrão” e colocou o cinto de segurança. Lin Yuan pôs um par de óculos escuros enormes, cobrindo metade do rosto.

— Segure-se, estamos partindo! — disse, como uma criança, dando partida no carro, que disparou velozmente.

Na loja Christian Dior.

— Zhang, por favor, ajude-a a escolher um vestido. Veja qual lhe convém. — Lin Yuan retirou os óculos, dirigindo-se à senhora Zhang, que arrumava a loja.

— Claro. Como devo chamá-la, senhorita? — Zhang sorriu, observando Yan Xiaoxiao, achando-a familiar, mas sem recordar de onde.

— Ela se chama Yan Xiaoxiao, minha nova assistente. Menina, esta é a Zhang.

— Olá. — Yan Xiaoxiao, tímida, cumprimentou Zhang.

— Senhorita Yan, não precisa se preocupar. Venha, vou ajudá-la a escolher um vestido. — Zhang, calorosa, a conduziu, deixando Yan Xiaoxiao ainda mais constrangida.

Zhang escolheu um vestido de noite branco, última coleção da Christian Dior, e mediu no corpo de Yan Xiaoxiao: — Hmm, esse realmente lhe cai muito bem, combina com sua pele clara. Experimente.

— Zhang, pode me chamar só de Xiaoxiao. — Ela tomou o vestido.

— Como quiser, Xiaoxiao. Vá logo experimentar! — Zhang sorriu, levando-a ao vestiário.

No vestiário.

Yan Xiaoxiao olhou a etiqueta do vestido, espantada: — Céus, tão caro assim! Terei que ser assistente desse porco até quando? — Acariciou o tecido refinado, suspirando. — Bom, experimentar não deve custar nada, pelo menos satisfaz meu orgulho...

Na loja.

— Lin Yuan, sua assistente tem um ar tão puro, parece que você cansou dos banquetes e quer provar tofu com cebolinha! — Zhang brincou, batendo-lhe no ombro.

— Zhang, não se engane. Ela é só minha assistente. Com esse corpo sem busto e costas, estar ao lado dela é um insulto a mim. — Ele ajeitou a franja, exibindo-se.

— Insulto? Lin Yuan, você se contradiz! Se a detesta tanto, por que levou-a à festa e ainda quer que ela brilhe? Fala uma coisa, faz outra! Coitada dessa cordeirinha inocente nas garras do lobo...

— É minha assistente, deve cuidar de mim e ser paga pra isso, qual o problema? — Lin Yuan defendeu-se.

— Fala sério, fazer uma menina cuidar de um brutamontes de 1,88m? Só pode estar em apuros para aceitar esse emprego...

Enquanto discutiam, Yan Xiaoxiao saiu do ensaio. Ao vê-la, Lin Yuan sentiu a respiração falhar — parecia uma fada descida à Terra.

Zhang aproximou-se, admirando-a: — Eu disse que não me engano. Ficou perfeito. Vamos, Xiaoxiao, maquiar você! — Zhang a levou ao camarim, mesmo que Xiaoxiao, desconfortável com os ombros nus, quisesse protestar.

Lin Yuan só recobrou o juízo ao vê-la sumir diante dos olhos. Lin Yuan, o que há com você? Quantas mulheres belas já viu? Não passa de uma garota imatura, vale tanto assim? Bateu no próprio rosto, tentando clarear as ideias.

No camarim.

— Xiaoxiao, sua pele é tão boa que basta um toque de pó. — Zhang admirava a beleza refletida no espelho.

— Zhang, não poderia trocar de vestido? — perguntou, cautelosa.

— Por quê? Não gostou? Mas caiu tão bem! Não viu o olhar do Lin Yuan? Ele é exigente, nunca o vi perder a compostura assim! — Zhang arrumava os cabelos da jovem.

— Acho-o muito ousado... e caro. — O coração de Xiaoxiao disparava; Zhang era tão gentil, esperava que não se zangasse.

— Ousado? Ora, todos vestidos de gala são assim. E quanto ao preço, não se preocupe, não vou cobrar nada. A loja é do Lin Yuan — ele é o maior acionista, somos sócios. Pode usar tranquila!

Xiaoxiao ficou surpresa: a loja era dele? Estava devendo um grande favor. Mas, afinal, ele a obrigara a ir à tal festa, não era escolha dela...

Quando se recuperou do devaneio, Zhang já havia terminado. — Pronto, princesa, será o centro das atenções. Vamos, seu príncipe já espera.

Xiaoxiao mal podia acreditar que a imagem no espelho era de si mesma. Realmente, não há mulheres feias, apenas mulheres preguiçosas.

— Tam, tam, tam! A princesa chegou! — bradou Zhang em tom brincalhão, conduzindo-a até Lin Yuan.

Ele ficou paralisado. Por sorte, recompôs-se logo, para não passar vergonha. Agradeceu Zhang com indiferença, tomou Xiaoxiao pela mão e deixou a loja.

No carro, silêncio. Lin Yuan olhava a bela ao seu lado de soslaio, sentindo a palma úmida de suor, xingando-se por dentro. Xiaoxiao mantinha o olhar à frente, forçando-se à serenidade.

Pararam diante de um clube sofisticado.

— Desça. — Lin Yuan abriu a porta, frio.

Xiaoxiao desceu cautelosamente, contemplando o edifício iluminado de néons.

— Dê-me o braço. Vamos entrar. Lembre-se: fale o mínimo, apenas sorria e acene quando cumprimentarem você. Não me dê trabalho. — Lin Yuan orientou.

— Entendido! — Xiaoxiao beliscou seu braço, fazendo-o contorcer-se de dor.

— Atrevida! Faça isso de novo e vai se ver comigo depois! — murmurou, entre dentes.

Caminharam, impassíveis, para fear o salão.

Homens e mulheres belos transitavam pelo grande salão; muitos eram celebridades. Xiaoxiao, porém, não se impressionou — apenas notou, com espanto, os vestidos ousados de certas atrizes, sentindo-se até recatada em comparação. Segurou firme o braço de Lin Yuan, sorrindo e cumprimentando os famosos.

— Porco, cadê aquelas iguarias que prometeu? Só vejo coquetéis... — sussurrou, sorrindo ainda, simulando intimidade.

— Calma, logo te levo até lá. — Lin Yuan respondeu baixinho.

— Ora, se não é Lin Yuan! Trocando de mulher como quem troca de roupa! Onde achou esse peixinho seco? — Uma atriz decadente, de vermelho e decote profundo, aproximou-se, toda afetação e maquiagem carregada — aos olhos de Xiaoxiao, parecia uma bruxa das montanhas.

Sim, era Xu Li, a mesma que Lin Yuan vira na TV mais cedo, aquela que poluía os olhos do público. Não se sabe como entrou ali, tentando chamar atenção com um vestido quase indecente.

— Não se preocupe com isso. Preocupe-se, sim, em congruir-se menos a um pedaço de carne assada. Quer ser devorada por algum lobo? — Lin Yuan, famoso por seu sarcasmo, não perdeu a chance de atingi-la.

Xu Li perdeu o ímpeto; forçou um sorriso, enquanto a base grossa escorria pelo rosto: — Ah, tenho gente me esperando, não vou atrapalhar. — E saiu apressada.

— Uau, Lin Yuan, chamar de carne assada foi pesado! Mas, afinal, ela é mesmo uma bruxa! — Xiaoxiao riu.

— E quem aqui foi chamada de peixinho seco? Aliás, ela descreveu bem! — Os olhos de Lin Yuan brilharam de malícia, provocando Xiaoxiao.

— Seu... idiota! — Xiaoxiao, furiosa, apertou-lhe o braço de novo.

— Garota insolente! — Ele aguentou, fuzilando-a com o olhar.

Xiaoxiao mostrou a língua, vitoriosa, provocando ainda mais o rapaz, que mal continha o impulso de esganá-la.

Após muitos pedidos, Lin Yuan, benevolente, levou-a à mesa de delícias. Os olhos de Xiaoxiao brilharam, largou-lhe o braço, agarrou prato e garfo, e foi consolar o estômago faminto.

— Devagar, ninguém vai roubar sua comida. Parece que ficou séculos presa, sem comer. Depois não diga que me conhece, está me envergonhando! Se soubesse, não teria trazido você... — Lin Yuan, resignado, observava Xiaoxiao devorar tudo, arrependido.

Xiaoxiao, cabeça baixa, apenas comia, alheia às palavras dele, acenando de vez em quando.

Lin Yuan, inquieto, lançou-lhe mais um olhar reprovador e afastou-se.

Após a “batalha alimentar”, Xiaoxiao satisfez-se, limpou a boca com o guardanapo e, ao recompor-se, notou que Lin Yuan sumira. Sem se preocupar, começou a circular sozinha.

— Quanta gente! Nossa, que diamante enorme naquele anel! Eu jamais lavaria as mãos com um desses, e se ele escorregar... — murmurava consigo, distraída, até esbarrar numa parede macia. Apressou-se em pedir desculpas.

Ao erguer os olhos, recuou alguns passos: aquele homem era ainda mais bonito que Lin Yuan! Todos os adjetivos do mundo seriam pouco para descrevê-lo.

— Senhorita, está bem? — Long Yanbin, vendo a garota recuar, aproximou-se para ampará-la.

Vendo-se tocada pelo belo rapaz, Xiaoxiao corou, respondendo com timidez que nem reconhecia em si: — Estou bem...

— Que bom. Sou Long Yanbin. E você, como se chama? — Ele soltou-a, gentil.

— Yan Xiaoxiao. — A voz mal saia, o rosto escondido no pescoço.

— Que nome especial! Muito prazer em conhecê-la.

— O prazer é meu... — Quando a mão de Long Yanbin envolveu a sua, Xiaoxiao quase gritou.

Ela relutava em soltar-lhe a mão.

— Aceita um drink comigo, senhorita Yan? — Ele sorriu, contemplando o rosto ruborizado dela.

— Cla... claro! — respondeu, nervosa.

— Que espontânea! Venha, por favor. — Levou-a até a mesa.

Enquanto isso, Lin Yuan conversava animado com um grupo de mulheres. Ao ver sua pequena assistente de conversa com o maior rival, Long Yanbin, sentiu-se tomado pela fúria. Despediu-se das acompanhantes e foi direto até eles.

— Yan, já está tarde, devemos ir. — Ele tomou-lhe o copo e, sem dar ouvidos, puxou-a pela mão.

Long Yanbin segurou a outra mão de Xiaoxiao: — Lin Yuan, assim não dá. Mesmo sendo sua assistente, não posso tomar um drink com ela? Estávamos conversando, não precisava interromper.

Lin Yuan virou-se, encarando-o: — Eu não lhe dou consideração? E quando foi à imprensa dizer que roubei sua cena, foi consideração sua? Seu hipócrita, não venha se fazer de bom moço — sei bem quem você é! — E, com um gesto brusco, separou-lhes as mãos, arrastando Xiaoxiao para fora, furioso.

Long Yanbin observou-os de longe, sorrindo malicioso: Yan Xiaoxiao? Hm! Nada mais é que Yan Yuxin, filha do magnata Yan Zhongshi. Como foi virar assistente do Lin Yuan? Isso promete...

Diante do carro esportivo.

— Basta, solte-me! — Xiaoxiao rosnou, furiosa.

— Aviso: pare de andar com aquele canalha ou não respondo por mim!

— Quem você pensa que é para controlar minhas amizades? Não está no contrato! E você não me chamou de mercadoria de rua? Agora que alguém se interessou, espantou o cliente — está maluco? — ela revidou.

— Cliente? Não se envergonha de se portar como acompanhante? Agora é minha assistente, fique quieta no seu lugar! — Lin Yuan estava furioso.

— E daí? Ele é bem mais bonito que você! — Xiaoxiao insistiu.

— Mais bonito? Você sabe quantas cirurgias aquele rosto já viu? Está cheio de remendos! Tenho fotos dele bebê, horrorosas! — Lin Yuan falou com tal seriedade que Xiaoxiao quase acreditou.

— Estou com fome, vamos pra casa. — Lin Yuan, extenuado.

— Não comeu nada? Com tanta comida boa! Corre, senão acabam! — Xiaoxiao olhou-o, preocupada.

— Eu? Disputar comida com porcos? Só se enlouquecer. — Ele abriu a porta. — Entre.

Xiaoxiao, contrariada, obedeceu.

A festa ridícula, enfim, acabara. Lin Yuan passou a mão no cabelo despenteado.

O carro vermelho sumiu na noite.