Capítulo Três: O Ataque das Criaturas Demoníacas
— Esta é minha filha, Annie — disse o tio. — Ah, sim, pode me chamar de Tio Oli! Ainda não sei o seu nome!
— Tio Oli, Annie, muito prazer. Meu nome é Esther Reno, e este é Larulas! — Desta vez, Esther apresentou-se formalmente, com um sorriso cortês estampado no rosto; afinal, como descendente de uma família de magos, tinha essa educação em seu âmago.
— Olá, irmão! — Annie cumprimentou com delicadeza, o que revelava sua excelente formação familiar, ou talvez o empenho de Tio Oli em moldá-la com esmero.
— Entrem, por favor! — Tio Oli acenou, pegando Annie nos braços.
— Com licença...
— Laru! —
Homem e elfo, em perfeita sintonia, adentraram a residência.
A casa, nem grande nem pequena, era composta de um salão principal e um quarto. O interior, simples, mostrava-se arrumado, sem vestígio de desordem, transmitindo aquela sensação de cuidado minucioso do anfitrião.
No salão, havia mesa e cadeiras; junto ao armário da parede, a cozinha.
— Esta noite peço que cuide de minha filha, Esther — declarou Tio Oli. — Annie, papai vai patrulhar esta noite. Fique em casa com o irmão, está bem?
— Pode ir tranquilo, papai. Annie vai cuidar bem do irmão! — Annie assentiu, o olhar impregnado de uma ternura resignada, mas cheia de compreensão.
— Laru! — Larulas ergueu-se, pousando diante de Annie e, com sua diminuta mão, afagou-lhe os cabelos. — Laru!
Quando Larulas se entristecia, Esther costumava acariciar-lhe a cabeça; nesses instantes, o elfo voltava a se animar.
Esther não impediu o gesto, e um olhar afetuoso surgiu em seus olhos. Após mais de uma década nesse mundo, desde que seus pais pereceram na batalha contra criaturas mágicas, sua vida tornou-se ordinária. Aos seis anos, conquistou Larulas ainda em forma de ovo de elfo, sofrendo escárnio e opressão.
Esperou por quatro anos até que, há três meses, Larulas finalmente veio ao mundo.
Pretendia permanecer com a família até o elfo evoluir para Kirulian, mas a atmosfera saturada de negatividade o fez decidir pela partida.
Durante o mês de viagem, Esther passou a considerar Larulas seu único familiar; vê-lo feliz era motivo de sua própria alegria.
A pureza das emoções infantis era algo que Larulas apreciava; gostava de estar entre crianças.
Sentindo a tristeza no coração de Annie, Larulas procurou confortá-la.
Annie olhou para Larulas, surpresa.
— Laru!
— Larulas diz que esta noite estaremos com você. Se sentir medo, ele pode dormir ao seu lado! Amanhã cedo, o tio estará de volta — traduziu Esther.
ξ(✿>◡❛), Larulas assentiu, expressando-se com gestos.
— Papai, posso? — Annie, agora animada, voltou-se para Tio Oli.
— Claro, mas seja obediente — o tio respondeu, com olhar paternal, afagando-lhe os cabelos.
— Que maravilha! Larulas, vou te mostrar o meu quarto — Annie exclamou, puxando o elfo consigo, correndo em direção ao quarto.
— Esther, muito obrigado. Eu não ficaria tranquilo deixando Annie sozinha em casa! — A gratidão de Tio Oli era sincera.
— Não há de quê, tio. Também faz tempo que não via Larulas tão contente — Esther sorriu levemente, prosseguindo: — Fique tranquilo, tio. Não sou um mago da Guilda Fairy Tail, mas ainda assim sou mago; a menos que uma horda de criaturas verdes apareça, posso lidar com três ou cinco delas.
O tio não se deteve na resposta. — Então, conto contigo! — declarou, rindo. — Annie, estou indo!
— Tchau, papai!
— Laru!
Tio Oli abriu a porta e logo desapareceu na escuridão, com apenas a tênue luz da tocha a brilhar.
Esther fechou a porta, ouvindo as risadas que vinham do quarto. Sorriu suavemente, sentando-se de pernas cruzadas no chão, e iniciou seu cultivo de habilidades psíquicas.
A aptidão concedida por Larulas, embora não fosse mágica, exigia treino constante; era preciso acumular energia interior para tornar-se mais forte.
Meditar era seu hábito. Nesses momentos, conseguia aquietar o coração.
Não se sabe quanto tempo passou. Esther abriu os olhos e viu Larulas deslizando silenciosamente para fora, trazendo consigo um cobertor feito de peles de animal desconhecido.
— Laru — murmurou Larulas, receoso de acordar a menina do quarto.
— Ela dormiu. Você também descanse, Larulas, obrigado pelo esforço — Esther sorriu, e Larulas assentiu, abrindo o cobertor no chão.
— Laru!
— Obrigado, Larulas — O olhar de Esther tornou-se ainda mais terna. Acariciou-lhe a cabeça e deitou-se.
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Larulas se aninhou no peito de Esther, escondendo inteiramente seu pequeno corpo.
Aquele calor reconfortante trouxe-lhe alívio; naquele mundo estranho, ao menos não estava sozinho.
...
— Laru! Laru!
O sono de Esther foi interrompido pela voz urgente de Larulas.
Esther abriu os olhos, confuso, mas logo despertou plenamente.
— Laru! — Ao ver o mestre acordado, Larulas expressou-se com pressa.
— Você sente uma presença hostil ao redor! — Esther exclamou surpreso, olhando ao redor. — Larulas, não será um engano? Veja lá fora, não há ninguém, de onde...
Sua frase foi interrompida por uma explosão de terra do lado de fora; um enorme verme despencou sobre uma casa, abrindo um imenso buraco no solo. E então, pequenas silhuetas verdes saltaram do buraco, gritando em sua língua estranha, correndo em todas as direções: pequenos goblins verdes.
— Maldição, vermes... e goblins verdes! — Esther arregalou os olhos. — Desde quando os goblins aprenderam a colaborar com outras criaturas mágicas?
Os vermes são criaturas de nível baixíssimo, inferiores até aos goblins verdes, sem inteligência.
Vivem no subsolo, mestres em cavar túneis.
— Larulas, vá até Annie! — Esther percebeu o pânico do lado de fora. A aparição dos goblins por túneis pegara-os de surpresa.
Mas o vilarejo reagiu rápido; logo a luta se formou, combatendo os goblins.
Goblins verdes, para ser franco, têm apenas um pouco mais de força que um homem adulto, e parecem menos ameaçadores que os vermes ao lado.
Os vermes, depois de cavar, rastejam sem rumo, sem atacar ninguém.
Dois goblins avistaram Esther; sem hesitar, gritaram, brandindo seus porretes improvisados, e correram em sua direção.