Capítulo 3: Compras e Estocagem (3)
Foram necessárias vinte e quatro horas inteiras.
Lin Xiaodou finalmente terminou de organizar todos os suprimentos e utensílios domésticos. Em seguida, sem dar-se ao luxo de descansar, ela correu até algumas lojas de roupas de grande porte. Ainda não comprara vestuário suficiente; precisava estocar belas peças, temendo que, no futuro, não conseguisse mais adquiri-las.
Vestidos de grife, camisetas, calças, casacos, suéteres, jaquetas acolchoadas — comprou de tudo, em todos os tamanhos, e quanto mais, melhor. Preocupada com a possibilidade de um inverno rigoroso, Lin Xiaodou ainda foi a uma fábrica de roupas para encomendar, com máxima urgência, milhares de conjuntos de cachecóis, gorros, roupas térmicas, jaquetas grossas, tudo em preto, para não sujar facilmente.
Passou também em algumas lojas especializadas em artigos para atividades ao ar livre, esvaziando completamente o estoque de equipamentos.
O vestuário e o suprimento de alimentos estavam resolvidos.
Quanto à moradia, Lin Xiaodou planejava, futuramente, refugiar-se nas montanhas e viver dentro de seu espaço especial; por ora, uma casa não era necessária.
Restava apenas o último item: transporte.
Era imprescindível adquirir veículos — e não apenas bons, mas à prova de balas. Lin Xiaodou visitou diversas concessionárias e, expondo suas necessidades, rapidamente adquiriu carros com a mais alta configuração.
Foram sedãs, utilitários, esportivos, caminhões, motorhomes — mais de trinta veículos ao todo. Entre eles, alguns caminhões e motorhomes de expedição valiosíssimos, que lhe agradaram especialmente: robustos e imponentes por fora, refinados e confortáveis por dentro — a escolha perfeita para longas viagens.
Além disso, Lin Xiaodou procurou o gerente para informar-se sobre recursos náuticos. Afinal, se o apocalipse trouxesse inundações, botes infláveis, iates e semelhantes seriam essenciais.
Em menos de um dia, sob a orientação do gerente, Lin Xiaodou adquiriu cerca de vinte embarcações: hovercrafts, lanchas, jet skis, barcos de pesca, cruzeiros, veleiros, iates.
Em particular, ela recorreu a contatos para comprar grandes quantidades de gasolina, geradores, petróleo — precavendo-se para qualquer eventualidade.
Com os suprimentos quase completos, Lin Xiaodou preparou-se para sair do país.
Medicamentos, ela só conseguira adquirir alguns no mercado doméstico — ainda eram insuficientes. Além disso, armas para defesa pessoal só poderiam ser compradas no exterior.
Durante esses dias de coleta de recursos, ela conhecera vários figurões, ampliando suas conexões de forma silenciosa.
Após muitas consultas e indicações, Lin Xiaodou já tinha fornecedores definidos.
Assim que desembarcou, um motorista particular veio buscá-la.
— Miss Lin, todos os medicamentos de que precisa estão neste armazém. Queira conferir.
Um estrangeiro de nariz aquilino a conduziu até um grande depósito.
Com um estrondo, a porta se abriu, revelando prateleiras apinhadas de medicamentos.
De tudo havia ali: ibuprofeno, aspirina, penicilina, morfina, codeína, atorvastatina, heparina — uma infinidade de tipos.
Lin Xiaodou pagou integralmente. Esperou que todos se retirassem, e rapidamente acomodou os medicamentos em seu espaço especial.
Depois, dirigiu-se ao endereço de outro armazém.
Neste, estavam estocados os mais avançados equipamentos médicos, aparelhos para uso humano, robôs de inteligência artificial.
Eram poucos itens, mas caríssimos; uma dezena deles custou-lhe cem milhões.
Por fim, Lin Xiaodou foi até uma empresa de segurança e contratou vinte soldados de elite.
Para negociar armas e munições, sua segurança pessoal precisava estar garantida.
A transação transcorreu sem incidentes. Os fornecedores, supondo tratar-se de uma grande influente, trataram-na com extrema deferência.
Lin Xiaodou gastou ao todo um bilhão, comprando três grandes depósitos de armas e munições, regressando em segurança.
Após todas essas compras, ela ainda se entregou a um frenesi consumista nos mais exclusivos shoppings do exterior.
Aquelas marcas de luxo que antes só ousava admirar pela televisão, agora estavam à mercê de um gesto: Chanel, Gucci, Hermès... roupas, bolsas, sapatos, cosméticos, relógios — comprou tudo, sem restrições.
Lin Xiaodou permaneceu apenas três dias no exterior antes de regressar apressadamente ao país.
Afinal, não sabia quando o apocalipse se anunciaria; cada minuto precisava ser aproveitado ao máximo.
Ao retornar, foi à zona rural, a uma gráfica prestes a falir. Já havia contatado o responsável anteriormente.
Em menos de uma hora, assinaram o contrato de aquisição.
Assim que todos partiram, Lin Xiaodou armazenou mais de cem mil livros em seu espaço.
Eram alimento para o espírito, de valor inestimável.
Quando estivera no exterior, em seus raros momentos de folga, comprara pela internet vastos acervos de séries, filmes, programas de variedades, armazenando tudo em uma dúzia de notebooks e celulares.
Quando enfim recolheu tudo o que podia, Lin Xiaodou passou um dia inteiro organizando minuciosamente seus bens no espaço.
Grãos, verduras, frutas, carnes, bebidas, petiscos, condimentos, utensílios de cozinha, produtos de uso diário...
Artigos de vestuário, veículos e embarcações, medicamentos, armas, livros, recursos audiovisuais — tudo cuidadosamente guardado nas mais de dez cabanas de pedra.
Milhares de pequenos animais corriam e saltavam alegremente pela pradaria, enquanto lagos cristalinos transbordavam de camarões, caranguejos, mariscos e frutos do mar.
Inúmeras sementes de grãos, vegetais e frutas foram plantadas por Lin Xiaodou, por pura força de pensamento, nos campos à beira do lago.
A delicada cabana de madeira, dentro do espaço, permanecia temporariamente fechada.
Ela até pensara em decorá-la como seu refúgio, mas não fazia falta: comprara vários motorhomes e poderia viver confortavelmente em qualquer um deles.
Depois de organizar tudo, Lin Xiaodou percebeu que ainda lhe restavam mais de dois bilhões.
Não havia o que fazer — era dinheiro demais.
Jamais conseguiria gastar tudo.
No apocalipse, essas somas não passariam de papel inútil.
Diante disso, decidiu que precisava dar um destino ao dinheiro.
Se não podia ser uma salvadora do mundo, ao menos poderia ser uma pessoa de grande benevolência.
Resolveu, pois, doar tudo, acumulando méritos para si.
Destinou, anonimamente, duzentos milhões a cada instituição: orfanatos, Cruz Vermelha para tratamentos de doenças graves, instituições de caridade, plataformas de arrecadação, projetos educacionais, socorro a pessoas com deficiência, abrigos para animais de rua.
Também fez uma doação anônima de quinhentos milhões a institutos nacionais de pesquisa médica, em apoio ao país.
Após essas doações, Lin Xiaodou conservou apenas dez milhões para eventuais necessidades.
Se o apocalipse de fato chegasse, precisaria também fortalecer suas habilidades de combate.
Pagou caro para contratar dois instrutores: um campeão de boxe, outro de artes marciais mistas.
Durante o período seguinte, treinava boxe pela manhã, praticava artes marciais à tarde, e à noite malhava na academia.
Todos os dias eram intensos, mas plenos.
Em um mês, sua força aumentou de forma impressionante.
O corpo, agora musculoso, era capaz de enfrentar sozinha dois ou três homens feitos.
Nos últimos dias, Lin Xiaodou sentia-se intrigada.
Passara quase um mês reunindo suprimentos, outro mês treinando artes marciais — dois meses haviam se escoado, e o tão temido apocalipse ainda não dera sinais.
Teria ela se equivocado em sua previsão?
Mas, ora, já gastara quase todo o dinheiro — não podiam brincá-la assim...
Furiosa, Lin Xiaodou cravou os dentes em uma coxa de ganso assado.
Após treinos extenuantes, sempre recorria aos prazeres da boa mesa para restaurar as energias.
O cardápio de hoje: coxa de ganso assado com Coca-Cola gelada.
Uma mordida no ganso, um gole de refrigerante — a satisfação era completa.
— Hm, que delícia! Só mais uma mordida!
— Hic... urgh... urgh...
Os olhos de Lin Xiaodou arregalaram-se; as mãos cerraram-se ao redor da garganta.
Em seguida, as pupilas reviraram, e seu corpo tombou para trás.
Com um estrondo, a nuca bateu contra o chão — e ela perdeu os sentidos...